terça-feira, 29 de março de 2011

Descoberto que proteína pode desencadear perturbações do espectro do autismo

Um grupo de cientistas norte-americanos e portugueses descobriu que uma proteína pode desencadear perturbações do espectro do autismo, parando a comunicação entre células cerebrais.
Em cada 10000 crianças portuguesas, dez têm autismo.

A equipa provocou mutações no gene que controla a produção da proteína Shank3 em ratos. Estas alterações fizeram com que os animais desenvolvessem problemas ao nível das relações sociais e comportamentos repetitivos - desordens geralmente ligadas ao autismo.

Os resultados permitiram “perceber quais as consequências para a comunicação neuronal quando o gene Shank3 é mutado”, explicou Cátia Feliciano, investigadora portuguesa presente na equipa. “Pretendíamos também saber se os animais com a mutação mostrariam alterações comportamentais. O que observámos é que os ratinhos com Shank3 mutado exibem comportamentos repetitivos, mostram altos níveis de 'ansiedade' e evitam o contacto social com outros ratinhos”.

A proteína Shank3 é encontrada nas sinapses, estruturas que permitem a comunicação entre as células cerebrais (neurónios). Estas possibilitam a conexão entre duas áreas do cérebro que se pensa terem um papel fundamental na regulação dos comportamentos sociais e na interacção social. Contudo, os animais com a mutação do gene mostraram defeitos nos circuitos que ligam essas duas áreas do cérebro (o córtex e o striatum).

Esperança no tratamento do autismo

A descoberta, publicada na revista "Nature", vem trazer esperança para a criação dos primeiros medicamentos eficazes no tratamento da doença. “Embora o Shank3 seja apenas um dos genes implicados no autismo, é possível que as regiões afectadas no comportamento autista sejam semelhantes ao nível dos circuitos”, explica, por sua vez, João Peça, também membro da equipa de investigação.

“Em termos de tratamento será agora importante identificar se efectivamente disfunções no striatum [área do cérebro mais afectada nos animais analisados] são um ponto em comum no autismo. Um dos principais focos da nossa investigação será perceber como modular este circuito”, acrescenta.

Os investigadores da Universidade Duke da Carolina do Norte, nos EUA, pretendem continuar a estudar a doença, utilizando os animais para testar terapias farmacológicas, genéticas e comportamentais. Num curto prazo esperam descobrir “se a reintrodução pós-natal do gene Shank3 nos ratinhos mutantes poderá ajudar a corrigir as alterações bioquímicas, de comunicação neuronal ou mesmo melhorar o comportamento dos ratinhos”, explica Cátia Feliciano.

Contudo, apesar das “experiências em ratos transgénicos serem extremamente importantes, a sua aplicabilidade nos humanos é nula”, alerta Pilar Levy, professora de Genética Médica na Faculdade de Medicina de Lisboa e investigadora na área do autismo. “Este estudo é mais uma peça no puzzle para tentar compreender os genes do autismo, mas ainda vai levar tempo até que seja replicado nos humanos”, explica.

Em Portugal estima-se que existam 10 crianças autistas em cada 10.000 (dados de 2006). As perturbações do espectro do autismo incluem uma série de distúrbios, como deficiências na comunicação e ao nível das interacções sociais, interesses restritivos e comportamentos repetitivos.

A doença tem uma origem poligenética, ou seja, pode ser desencadeada por perturbações em diversos genes. Para além disso, esta pode manifestar-se com diferentes intensidades, desde a perturbação profunda até à síndrome de Asperger, onde não existe qualquer atraso cognitivo. Todas estas questões dificultam o diagnóstico (feito principalmente com base no comportamento dos indivíduos) e o seu tratamento.

Este estudo teve financiamentos de instituições portuguesas (Fundação para a Ciência e Tecnologia, Instituto Gulbenkian de Ciência e do Centro de Neurociências e Biologia Celular de Coimbra) e norte-americanas (National Institutes of Health, Simons Foudation Autism Research Initiative, NARSAD - The Brain and Behaviour Research Fund e da Fundação Hartwell).

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Comentario:

Uma proteina que causar perturbações ao especto autismo, essa é a nossa ciência,
sempre nos surpreendendo. Agora com esse descobrimento, talvez sejá possivel a criação de algum tratamento especial para o Autismo em alguns anos. Uma coisa muito boa para as pessoas que possuem essa doença.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Cientistas produzem esperma em laboratório

Um grupo de cientistas japoneses da Universidade de Yokohama conseguiu criar, a partir de um milímetro de tecido do testículo de um ratinho, esperma em laboratório. A investigação abre portas a futuras terapias para preservar a fertilidade masculina.
Por agora é prematuro aplicar os resultados a humanos

O mecanismo de produção de espermatozóides a partir de células reprodutivas masculinas é um dos processos mais complexos do organismo humano e que pode chegar a demorar um mês no interior dos testículos. Daí que, até agora, tenha sido tão difícil reproduzir este processo em laboratório. Uma barreira que um grupo de investigadores japoneses conseguiu ultrapassar, tendo agora publicado um estudo com as conclusões na revista Nature.

A descoberta veio demonstrar que é possível obter espermatozóides a partir de um cultivo de células testiculares e, mais difícil ainda, a partir de ratinhos recém-nascidos e que ainda não se conseguem reproduzir. Mas, mais importante, o grupo conseguiu utilizar o esperma para fecundar um óvulo, dando início a uma longa descendência de ratinhos saudáveis e férteis.

“Colhendo um fragmento de tecido dos testículos de ratinhos recém-nascidos e cultivando-o num gel de agarose durante dois meses conseguimos obter esperma capaz de fecundar normalmente um óvulo”, explicou ao jornal espanhol El Mundo o responsável pela equipa de investigação da Universidade de Yokohama, Takehiko Ogawa. O investigador esclareceu, ainda, que o trabalho foi aplicado em ratinhos pelo que é prematuro estabelecer um paralelismo com os humanos. Contudo, salientou que é natural pensar nas aplicações em termos de fertilidade que uma descoberta destas pode permitir.

Uma ideia que também foi avançada por Marco Seandel y Shahin Rafii, do Colégio Médico Weill Cornell, nos Estados Unidos. Citados pelo mesmo jornal, os médicos destacaram que a descoberta pode abrir caminho a futuras terapias para preservar a fertilidade masculina, nomeadamente em crianças com cancro, onde tratamentos como a quimioterapia ou a radioterapia podem condenar os doentes a problemas de reprodução e onde ainda não é possível preservar esperma, ao contrário do que acontece nos doentes adultos.

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Comentario:

Criação de espermas em laboratótio. Isso é ótimo, a criação de esperma não apenas ira ajudar na fertilidade masculina como também poderá ajudara em pesquisas. Fazendo assim que muitas novas coisas poderão ser descobertas.

Portugueses limitam crescimento de cancro manipulando ambiente celular

Cientistas portugueses conseguiram travar o crescimento do cancro manipulando o ambiente que envolve as células cancerosas. O estudo publicado na revista Oncogene mostra pela primeira vez por que é que vários tipos de cancro bloqueiam a actividade do gene LRP1B. A descoberta pode abrir portas para novas terapias.
Os cientistas vão continuar a investigar novas substâncias que influenciam o crescimento do cancro

O LRP1B não desaparece das células cancerosas, mas é como se o fizesse. Em 2010, uma equipa de Cambridge descobriu que o gene estava entre os dez genes mais bloqueados em 3312 cancros. “Verificámos que nos tumores da tiróide havia uma repressão significativa deste gene”, disse Hugo Prazeres ao PÚBLICO, primeiro autor do artigo, que trabalha no Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto. O estudo foi liderado por Paula Soares.

A proteína é especialmente activa nas células da tiróide e do tecido nervoso, mas também aparece silenciada no cancro colo-rectal, do pulmão, da bexiga e noutros. Os cientistas descobriram que este bloqueio acontece de três formas. O gene pode ser mutado e não originar uma proteína normal, podem ligar-se pequenas moléculas que emaranham o ADN e impedem a maquinaria celular de iniciar a produção da proteína e o processo pode ainda ficar bloqueado depois de a maquinaria ter produzido o ARN – a molécula que codifica os aminoácidos que juntos formam a proteína.

“Investigámos o que é que acontecia se introduzíssemos o gene funcional LRP1B em tumores, uma das coisas mais importantes foi a repressão da invasão”, disse o cientista. A equipa conseguiu travar o crescimento tanto em células in vitro como em modelos animais. O passo seguinte foi compreender qual a função desta proteína membranar.

“A molécula faz parte da família de receptores de lipoproteínas que conhecemos melhor por internalizarem o colesterol para dentro das células”, explicou o investigador. Ou seja esta proteína membranar “retira moléculas solúveis do ambiente extracelular para o interior da célula”.

As substâncias solúveis ligam-se a várias proteínas LRP1B. Depois, o pedaço de membrana celular que tem as proteínas, com ajuda da maquinaria celular, é puxado para dentro da célula, transformando-se numa vesícula redonda.

A equipa do IPATIMUP descobriu que, neste caso, a substância retirada pela proteína membranar do espaço extracelular é a MMP2, uma enzima conhecida por degradar a matriz que une as células. Na mulher o gene da MMP2 é expresso em altos níveis no útero e é activado pela menstruação. “A degradação do endométrio é mediada por esta enzima”, disse Prazeres, exemplificando uma das utilidades desta proteína.

Quando as células cancerosas inibem a produção da proteína membranar LRP1B, que normalmente recolhe a enzima MMP2 do ambiente fora da célula, a enzima continua lá, a degradar a matriz extracelular, “o que permite arranjar espaço para as células tumorais crescerem”. O que faz com que o tumor possa evoluir.

A equipa está a investigar outras substâncias do meio extracelular que como o MMP2 podem ajudar à propragação dos tumores. Terapias que controlem o cancro manipulando este meio não têm a desvantagem de ser ultrapassadas se as células cancerosas ganharem resistência, como acontece nas terapias tradicionais. “O LRP1B surge neste estudo como uma possível ferramenta terapêutica”, disse Prazeres.


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Comentário:

A cada ano, a cada mês, a cada dia, sempre aparece alguma coisa nova que possibilita novas terapias, curas e remedios para doênças, e agora portuguêses descobrem como limitar o crecimento do cranco, uma ótima descoberta.

População de tigres na Índia aumentou pela primeira vez em dez anos

Pela primeira vez numa década, o número de tigres selvagens na Índia aumentou, atingindo os 1550 animais, vai amanhã revelar o Governo, citando um censo oficial, em Nova Deli. No planeta restam apenas três mil tigres.Em 2007 exitiam na Índia 1411 tigres selvagens


Afinal ainda pode haver esperança para este felino que, no último século, sofreu um declínio populacional de 97 por cento, consideram conservacionistas, depois da notícia.

Segundo o jornal britânico “The Guardian”, o censo – que será divulgado amanhã pelo ministro indiano do Ambiente, Jairam Ramesh numa conferência internacional de peritos em tigres - diz que 1550 animais na Índia representam um aumento de dez por cento em relação a 2008.

Ainda assim, há espaço para dúvidas. Alguns conservacionistas lembram que o censo – realizado nas 39 reservas criadas para proteger o tigre - incluiu a região de Sunderbans, na Baía de Bengala, onde o número de tigres foi considerado demasiado difícil de monitorizar. Além disso, questionam o número porque o método utilizado no censo permite que o mesmo tigre seja contabilizado várias vezes.

Mas mesmo que existam hoje mais tigres naquele país, o seu território é cada vez menor. Na Índia, muitos tigres continuam a ser abatidos por caçadores ilegais e a perder território devido à destruição dos habitats naturais. O censo de 2007 lançou um alerta geral, ao constatar que apenas restavam na Índia 1411 tigres.

Segundo o jornal “Hindustan Times”, as áreas protegidas na Índia apenas têm capacidade para entre mil e 1200 tigres, com a actual área crucial para a espécie de 31.207 quilómetros quadrados. O ministro do Ambiente já admitiu que o país não consegue aumentar a sua área florestal.

“A população humana continua a crescer e isso significa menos presas, ameaças de fragmentação do habitat do tigre e um aumento do perigo de conflitos directos entre humanos e animais”, lembrou ao “The Guardian” MK Ranjitsinh, responsável pela organização Wildlife Trust of Índia. “Podemos ter vencido uma batalha, mas ainda temos de ganhar a guerra.”

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Comentário:

Uma ótima notícia, ainda há esperança para o tigre na Índia, sua população caiu muito, e muito rápido, más agora eles se fortalecem e sua população aumenta, é um ótimo exemplo de sobrevivencia da espécie.

AIEA: crise nuclear no Japão “ainda está longe do fim”

A crise nuclear no Japão “ainda está longe do fim”, dado que a central de Fukushima Daiichi continua a libertar radioactividade para a atmosfera e para o mar, disse hoje o director-geral da Agência Internacional de Energia Atómica, Yukiya Amano.
Amano pediu transparência total ao Governo japonês sobre Fukushima



A situação de emergência pode arrastar-se por semanas, se não por meses. Esta é a estimativa possível feita por Amano. “Este é um acidente muito grave, em todos os padrões e ainda não acabou”, disse Amano em entrevista telefónica ao jornal “New York Times”, a partir de Viena.

“É preciso fazer mais esforços para acabar com o acidente”, salientou, apesar de constatar que isso não será fácil por causa das condições em que se trabalha na central. Por causa da radioactividade elevada e dos danos causados aos equipamentos de monitorização da central, a operadora Tepco (Tokyo Electric Power Company) não tem a certeza se os núcleos dos reactores e as barras de combustível usado estão, ou não, cobertas por água, necessária ao seu arrefecimento e ao fim dos problemas.

Há “áreas onde não temos informação. Nem nós nem os japoneses”. Ainda assim, Amano pediu ao primeiro-ministro japonês Naoto Kan “transparência total” sobre a situação da crise nuclear em Fukushima.

De momento, a maior preocupação para Amano, no cargo desde finais de 2009, centra-se nas barras de combustível armazenadas nas piscinas de arrefecimento em cima dos edifícios dos reactores. O responsável confessou ainda estar preocupado com a radioactividade libertada no Ambiente.

Água com níveis cada vez mais altos de radioactividade está a escapar do reactor 2 para o edifício adjacente da turbina. No entanto, a Tepco não sabe de onde está a vir aquela água radioactiva, algures de dentro do edifício do reactor.

Ontem, os funcionários da central começaram a bombear água doce nos reactores 1,2 e 3, depois de dias a utilizar água do mar, corrosiva. Os funcionários também recuperaram as luzes na sala de controlo do reactor 2, mais um passo na tentativa de pôr a funcionar o sistema de arrefecimento da central, suspenso desde 11 de Março. Agora só o reactor 4 ainda não tem a luz ligada.


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Comentário:

Como podemos ver na reportagem a cima, o Japão se encontra em uma de suas maiores crises que já passaram. Sendo que algumas das coisas que pioraram a situação da crise poderiam ter sido evitadas, eles poderiam muito bem subistituir usinas nucleares por outros tipos de estruturas que produzem energia que não possuem radiação.
O Japão deveria investir em suas redes de energia, renovalas. Para que não ocorra riscos para o país e para principalmente a população.